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Liberdade e perdão

22 de Setembro, 2022

Talvez a nossa maior necessidade seja focarmos no perdão. Isto inclui perdoar-se por quaisquer circunstâncias ou situações que pudessem sentir-se incompletas, perdoando os outros sem reservas, e pedindo perdão a outros que se possa ter magoado ou injustiçado, consciente ou inconscientemente. Não há uma única sessão de yogaterapia em que não confirme isto mesmo.

Perdão, kshama em sânscrito, é um dos clássicos yamas, ou orientações do yoga para a vida, que aparece entre a lista de virtudes em muitos textos de yoga, incluindo o Bhagavad Gita, o Hatha Yoga Pradipika, e outros.

Como a tradição do yoga, o perdão é uma prática central em muitas das tradições sagradas do mundo. No Judaísmo, por exemplo, os dez dias entre o Ano Novo e o Dia da Expiação, que acontecem na próxima semana, estão focados na reflexão e em pedir perdão pelos pecados incorridos no último ano.

O perdão é considerado indispensável para promover a paz interior porque guardar rancores e ressentimentos nos impede de sermos felizes e satisfeitos.

Não se trata de minimizar a dor ou negar a dor que podemos ter sentido. Também não se trata de exonerar a pessoa que nos injustiçou de fazer o seu próprio arrependimento. Em vez disso, trata-se de esquecer a amargura e o ressentimento que podemos sentir. Fazemos isto por nós mesmos, porque quando nos agarramos a esses sentimentos, eles tornam-se obstáculos à nossa felicidade, crescimento e evolução.

Martin Luther King, Jr disse:

O perdão não significa ignorar o que foi feito ou colocar um rótulo falso num acto maléfico. Significa, pelo contrário, que o acto maléfico já não é uma barreira à relação.

O Yoga ensina que o perdão dissolve a raiva. Desta forma, traz liberdade. Ao deixarmos de lado a nossa raiva e mágoa, libertamos os rancores e o ressentimento que nos impedem de seguir em frente — quer isso signifique entrar numa nova fase de uma relação, acabar com uma relação que já não nos serve, ou seja, diminuir o apego excessivo à vida eliminando assim uma das maiores causas de sofimento do ser humano, segundo Patanjali.

Presença, Pausa, Possibilidade

4 de Setembro, 2022

 

A ideia de que os seres humanos são criaturas auto-relacionais – que podemos saber o que se passa nas nossas mentes – pode parecer óbvia, simples e talvez básica para o que sabemos e experimentamos ser verdade no yoga. No entanto, é uma noção extraordinária quando se considera as suas implicações.

Os antropólogos diriam que somos observadores participantes. Participamos nas nossas vidas interiores e exteriores, e também podemos ficar para trás e observar-nos desde uma perspetiva externa.

Acredito que esta é uma das principais formas de transformação através do yoga. À medida que praticamos, criamos distância suficiente dos nossos estados mentais e pensamentos para podermos vê-los e conhecê-los. Como resultado de nos apercebermos dos nossos pensamentos e humores, ganhamos alguma liberdade em relação a eles. Nesta liberdade reside a possibilidade de uma mudança de perspectiva.

Num retiro que ensinei há uns anos, uma participante partilhou como isto expressou algo que ela tinha vivido enquanto enfrentava desafios substanciais na saúde. Através da consciência que adquiriu nas suas práticas de meditação e respiração, reconheceu que a sua habitual reactividade já não lhe servia e, acima de tudo, percebeu que tinha escolha. Ela não tinha de ser o seu eu reactivo habitual. Podia praticar ser mais aceitante e paciente.

Através da presença e pausa, surgiu a possibilidade de uma resposta diferente, que a serviu melhor.

Esta é uma capacidade que desenvolvemos no yoga. Cultivamos a presença da mente para parar e lembrar que esta mudança de perspectiva está disponível para nós, e depois para considerar e dar espaço para outras possibilidades.

Aqui está uma maneira de experimentar este processo através da consciência da respiração:

1- Presença: A respiração acontece agora. Estar consciente da sua respiração traz-te o presente, imediatamente. Não podes preocupar-te com o futuro ou com o que ficou no passado quando a tua atenção está na respiração.

2- Pausa: Consciencializar a respiração permite-te recuar e ter um momento antes de reagir quando um condutor rude te passa ou o teu filho não limpa o quarto, novamente. Parar para respirar cria um espaço onde ganhas maior controlo na forma como respondes a situações.

3- Possibilidade: Na pausa existe a possibilidade de não reagir de forma habitual e, em vez disso, responder de forma mais ponderada e intencional.

Presença, pausa e possibilidade é a trajectória que viajamos vezes sem conta na jornada para nos tornarmos mais do que queremos ser.

O universo não manda sinais

18 de Setembro, 2021

 

O universo dá sinais? Não.

Peço desculpa se ofendo alguma crença, mas o universo não dá sinais a ninguém.

Sim, o Universo tem sinais, inclusive tem um padrão de sinais de rádio repetido cuja origem, descobriu-se recentemente, remonta a uma galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra. E, por enquanto, só temos evidências científicas da existência de sinais de rádio no universo e não são dirigidos a ninguém em particular.

Por isso, já era tempo de deixarmos cair essa desculpa para justificar o que quer que seja que aconteça na nossa vida. A pessoa não acredita em Deus, não acredita na existência de outros seres inteligentes que possam – em diferentes planos vibracionais da existência influenciar a sua vida e psique – mas depois acredita que o universo manda sinais para alguém e que o universo está interessado nos nossos problemas individuais? Lamento, mas não está.

“Mas então, o universo não me diz, por sinais, qual é o meu propósito de vida?”

Não, o universo não é uma entidade inteligente nem criadora. Sabemos que ele faz e contém coisas inusitadas, mas mandar sinais para cada um de nós não é uma delas. Hoje sabe-se que o universo é composto por energia e matéria escuras e pela energia e matéria que nos compõe.

“Mas e o propósito da minha vida…”

A única coisa que importa dizer é que não interessa qual é a tua profissão, quantos graus académicos tens ou se tens algum, o tamanho da tua conta bancária, se tens família ou não, se te dedicas ao yoga, à jardiangem ou a ser bombeiro. Se há algum propósito na nossa vida é que nos voltemos para os interesses da alma. O nosso aperfeiçoamento moral é tudo o que mais importa (já agora, acho que basta olhar o mundo à nossa volta para percebermos isso). É claro que a nossa caminhada segue e está incluída no que acontece no universo visível e invisível. Ninguém vive realmente sem objetivo existencial. O ser humano suporta qualquer tipo de perda, naturalmente dentro dos seus limites emocionais, não, porém, a perda do objectivo existencial.

Se o indivíduo perde a motivação para o crescimento interno, e a conquista de valores externos, porque se encontra sob recriminação e culpa, incerteza e desinteresse existencial, a sua vida torna-se exaustiva e doentia, porque destituída de ideais e de realizações.

A existência saudável é dinâmica, cheia de acções bem sucedidas e outras menos, que se inter-relacionam num panorama de acertos e de erros, enganos esses que se convertem em aprendizagem para futuras conquistas que nos ajudam a crescer.

A vida sem sentido é uma experiência sem vida. O vir-a-ser dá sentido existencial à vida, promovendo-a e dignificando-a, tornando-a saudável e bela.

Estabelecido, portanto, um roteiro psicoterapêutico valioso ou organizada uma simples proposta de bem-estar pessoal, o vir-a-ser é essencial na estruturação da saúde do indivíduo, que se trabalha motivado pa

O tempo da vivência terrestre pede sempre que lhe demos um sentido útil, que procuremos saber qual é a razão de fazermos o que fazemos e de ser como somos. Senão, para quê passarmos tanto tempo pelas experiências do corpo biológico, de enfrentarmos tantas dificuldades, de superarmos variados embates, sem que tenhamos consciência de sua razão?

Para tudo o que fizer ou deixar de fazer, que haja um sentido claro ou uma ponderável razão.

Não é preciso filosofarmos sobre por que ficamos a dormir até mais tarde ou porque gostamos da cor azul,  mas quando se tratar de acções que terão peso sobre a nossa vida, aí sim, busquemos sempre uma razão para fazê-las.

Procure encontrar e compreender os motivos pelos quais está no mundo, no tempo presente, nas suas circunstâncias, e não viva ao sabor da sorte. E sobretudo, aceite o sofrimento, mas não se apegue a ele. Ninguém nasceu para sofrer nem culpado de coisa alguma. Quando nos fechamos num sofrimento inútil e prolongado, só desperdiçamos oportunidades. É possível quebrar esse ciclo vicioso e viver com mais ânimo, realismo e com a certeza de que podemos conduzir a nossa própria vida. Nós e não o universo.

Quando se sentir impotente e sem fé, pergunte-se o que lhe falta. E vai ver que só lhe falta esperança.

“O futuro bem entendido está no presente bem vivido”

Sugestão de leitura: Man’s search for meaning, Viktor Frankl

 

 

 

À vontade, no momento presente, espaçosa, clara, enraizada, centrada, calma, resolvida.

Estas são algumas das palavras que descrevem a minha experiência de estar alinhada na minha prática de ásana ontem – uma prática focada na parte inferior do corpo com torções e posturas sentadas.

Articular experiências benéficas no yoga fortalece.

Portanto, convido-te a explorar o teu próprio processo de alinhamento:

– Como deixas de te sentir fora de sincronia para sincronizado(a)? Como passas da dispersão para o foco?

– Como descreveria o movimento em direcção à unidade e à integralidade que resulta de juntares as peças e partes de ti numa maior harmonia?

– Que palavras transmitem a experiência de te sentires alinhado no teu corpo e ser?

Para começar, talvez seja útil partilhar um pouco sobre minha a experiência. Para mim, alinhamento é um processo que se move na pulsação.

Por um lado, há um aspecto desconstrutivo: eu sinto onde estou a segurar e onde estou a soltar e relaxar. Eu solto a tensão e suavizo um pouco da dureza que limita e bloqueia. Levei anos neste processo e tenho muitos mais pela frente.

Há, então, uma componente edificante: eu ajusto-me e respondo com um movimento intencional e propositado em direção à integração. Volto e refaço a postura, sinto, e deixo ir um pouco mais.

Como de costume, o alinhamento resulta de uma combinação de esforço e rendição, fazendo e sendo, acção e reflexão.

E, já que me perguntam isso com frequência suficiente, vou acrescentar que raramente esses dois aspectos de se mover em alinhamento se unem para mim. Em vez disso, eles acontecem em sucessão, primeiro um e depois o outro, para frente e para trás. repetidamente.

A experiência da unidade completa? Acontece por vezes. Mas é sempre espectacular como a consciência canta no nosso corpo.

Os verdadeiros presentes, porém, vêm depois. Quando o trabalho da prática se instala e eu vou para o resto do meu dia é quando o valor do alinhamento parece mais tangível, claro e duradouro.

Yoga e Raiva

16 de Fevereiro, 2021

 

Há tantas razões para perder a calma e para nos dar os 5 minutos. A raiva pode ser uma defesa contra o medo. Factores de stress, como trabalho, problemas familiares, problemas financeiros, alcoolismo e depressão, tornam-se sinalizadores. Sentimentos feridos podem causar reações furiosas. Ou, você pode reagir a algo aparentemente trivial — alguém a caminha muito lentamente à sua frente num passeio, quando está cheio de pressa, por exemplo — e isso liga-se a um problema retido no inconsciente.

A raiva é rajasica, uma energia primordial que alimenta a raiva, mas pode ser temperada e usada para o crescimento. O poder da raiva parece monumental e incontrolável, mas uma crescente consciência das conexões com outras pessoas é a chave para o autocontrolo. Todos estamos a trabalhar nisso. Não há ninguém perfeito.

As pessoas tendem a sentir mais raiva em tempos de mudança? Se sim, por quê? E você está achando que os níveis de raiva são particularmente altos para as pessoas que lidam com a pandemia COVID-19?
As nossas memórias de como as coisas eram parecem, hoje, um sonho, e o mundo actual é irreconhecível. Os nossos planos e esperanças estão espalhados como areia ao vento. O futuro que tínhamos imaginado desapareceu, fazendo-nos sentir assustados, enganados, confusos e irritados enquanto lutamos contra um inimigo invisível e implacável. As pandemias têm lógicas muito próprias.

Aqueles que conseguem aceitar que estamos num tempo diferente, um tempo de guerra, são mais capazes de lidar com as consequências. Outros tentam lutar contra isso, e ficam muito zangados. Os casos de abuso infantil e conjugal são bastante altos hoje em dia, por estarmos trancados juntos e usando essa raiva sobre nós mesmos e uns sobre os outros.

Quais são alguns dos problemas causados por sentir frequentemente raiva?
Pessoas que sentem frequentemente raiva perdem o seu bom julgamento e afrouxam as suas conexões com a vida. São pessoas normalmente num estado furioso, irritável e incapaz de participar de relacionamentos profundos, cegos à evanescência do ser. Amor e beleza desaparecem. A ternura é substituída pelo sadismo.

Existem outras emoções, como ressentimento e ciúme, que devemos considerar como formas de raiva e que devem ser abordadas da mesma forma geral?
Ressentimento e ciúme são duas formas diferentes, mas relacionadas de raiva. O ressentimento pode ser um crescimento da raiva. A pessoa A sente que eu deveria pegar isso, e B levou embora. A sente raiva e amargo.O ciúme é um pouco mais complicado porque é uma interação de três pessoas. Digamos que A ama B, e B ama A, até C aparecer e roubar os afetos de B. Agora B e C estão juntos. A está sozinho, magoado, zangado e ciumento.

O ressentimento pode tornar-se caráterológico e causar amargura crónica. A falta de confiança no outro pelo ciúme impede o pleno desenvolvimento das relações. Em ambos os casos, esses sentimentos tornam as conexões difíceis de alcançar e manter. A consciência e aceitação das emoções é o primeiro passo para lidar com elas. Sente-se com elas calmamente, absorva-as e veja que histórias podem surgir. Essas histórias são suas para aceitar e talvez modificar no futuro. Considere mudar o enredo.

Em geral, como o yoga pode ajudar as pessoas que estão sentindo muita raiva e/ou emoções relacionadas?

Yoga aproxima-nos do nosso corpo, sentimentos e mente. Thich Nhat Hanh disse: “Inspirando, eu sei que estou com raiva. Expirando, eu sei que a raiva está em mim”. O primeiro passo é reconhecer e fazer amizade com os seus sentimentos, e então perguntar-se por que e como está com raiva. Saiba que é humano, e a pessoa com quem você está com raiva também é humana. Raiva é a conexão entre vocês.

Quais são algumas práticas específicas de yoga e/ou posturas que recomenda ou sugere para resfriar essas emoções ardentes?
Começa com a respiração básica. Siga o fôlego. Respeire de forma longa, profunda, lenta. Isso ajudará a controlar a energia feroz da raiva e levará ao autoconhecimento.

Existem muitas práticas físicas que são calmantes: Kapalabhati), uma respiração purificadora, que pdoe ajudar a liberar raiva. Posturas mais desafiantes podem ajudar, também, assim como sequências de yoga restaurativa. Uma das minhas posturas favoritas é Supta Baddha Konasana. Para fazer essa pose, deite-se de costas, palmas viradas para cima perto de seu corpo, e traga os calcanhares de seus pés para tocar. Apoie os joelhos com cobertores ou blocos. Feche os olhos, fique quieto e respire.

Existem práticas de yoga e/ou posturas que as pessoas a sentir raiva e/ou emoções relacionadas devem evitar?
Se achar que um estilo particular de prática alimenta a sua raiva evite-a. Ou estilos de alguns professores. Já me aconteceu. Isso, é claro, é uma questão individual. Lembre-se, deixe seu corpo fazer o seu yoga, não force o seu corpo no que é descrito como a postura de yoga ideal. Isso não existe.

Nem expressar nem suprimir a raiva levam a um resultado positivo. Em vez disso, sente no teu corpo e no teu coração o que és, e para onde o teu espírito te leva.

Antes mesmo de irmos ao tapete, os nossos pensamentos são muitas vezes algo como…
“Tenho que praticar”,
“O meu corpo é tão duro que devo praticar o meu yoga” ou
“Se eu não praticar, nunca melhorarei”
Esse tipo de pensamento soa como um pai a tentar obrigar uma criança a fazer os trabalhos de casa ou  a limpar o seu quarto.
Onde está o benefício, a recompensa e a motivação?
Hoje partilho uma maneira simples e eficaz de nos motivarmos para praticar que vai atender às necessidades profundas e ajudar a vermos o momento da nossa pr]atica com outros olhos.
Primeiro tenho uma confissão para fazer. Eu disse algo nesse sentido para mim mesma muitas vezes. “Eu tenho que praticar” seguido por um som de chicote.
Remova o ‘tem que’ da frase e substitua-o por ‘querer’ e já estará alguns centímetros mais perto de ir ao tapete.

Mas ainda não acabei!

Aqui está a minha estratégia de 2 partes para ajudá-lo a identificar por que quer praticar, entender como a prática pode atender a uma necessidade profunda e instantaneamente sentir-se motivado a praticar.
1. Como se sente depois da prática? Liste como se sente depois de praticar. Acho que pode ter algumas das seguintes palavras na sua lista. Relaxado, energizado, equilibrado, fisicamente forte, mentalmente claro, ágil etc.
2. Cada um dos sentimentos está ligado directamente à necessidade que cada um tem. Deixe-me explicar. Se  se sente relaxado depois do yoga é porque tem a necessidade de relaxar. Se se sente forte no seu corpo, isso é porque tem uma necessidade de conectividade muscular no seu corpo.
Quando nos conectamos ao porquê de praticarmos yoga, o que esperamos ganhar com isso (os benefícios) e como nos sentimos depois de praticar é muito mais fácil estender o tapete e praticar em vez de nos chicotear-mos com ‘temos de’ e ‘devemos’
Disciplina não precisa ser uma palavra dura, encontre a sua disciplina através de um profundo desejo de bem-estar.

7 formas de lidar coma raiva

16 de Agosto, 2020

Paschima namaskarasana.

Há muito com que nos sentirmos zangados hoje em dia. E não só por causa da pandemia que estamos a atravessar. Há esta ideia de que as coisas deviam ser de uma determinada forma e é possível que algumas pessoas se sintam frustradas e com raiva por não terem outras soluções ou simplesmente por não terem uma solução de longo prazo infalível.

Como qualquer emoção, a raiva é normal e saudável. Todas as nossas emoções dizem-nos algo e ensinam-nos muito, ajudando-nos a processar as experiências com o mundo.

Mas é importante saber lidar com a raiva, pois não queremos estar à mercê dessa emoção, sobretudo numa altura em que há muitas descargas emocionais e muitos ‘nervos à flor da pele’.

O que antes se fazia para lidar com as nossas emoções: sair com amigos, viajar, etc. já não é, por agora, possível.

Na verdade, como dizia Śrī Śaṅkarācārya, a raiva nada mais é do que uma expressão da dor e da expectativa.

Deixo aqui algumas sugestões:

  1. Ouve as tuas emoções e pensamentos e, depois, vai mais fundo.

Identifica e reconhece os pensamentos e emoções que te estão a inundar a cabeça. Quando alguém diz: “Não aguento mais”, isso faz escalar uma espiral negativa de emoções. Quando dás por ti a pensar de forma catastrófica, muda o tom do pensamento. Pensa algo como : “eu consigo fazer isto hoje” e repete este ‘mantra’ internamente todos os dias se for preciso. Quando dividimos a nossa raiva ou frustração em pequenas partes, torna-se mais fácil de lidar com ela.

Estamos a viver um momento de soluções de curto-prazo. Depois de teres dado um passo atrás para determinar exactamente o que estás a sentir, vai mais fundo e aprofunda por que te estás a sentir dessa forma. Faz uma pausa e reflecte, sobretudo se acabaste de experienciar um pico de raiva.

Pergunta a ti mesmo(a): “O que aconteceu? O que me efureceu naquele momento?”. Se a resposta não for óbvia, escreve sobre isso num diário. Mais tarde vais poder identificar padrões: é possível que sintas mais raiva nas mesmas alturas do dia, ou quando estás com certas pessoas. Tudo isso é informação que podes usar para processar as tuas emoções e arranjar as soluções à tua medida.

O lado bom da raiva é que nos diz que algo não está bem connosco. E, tudo bem que vivas com expectativas, mas deixa que as expectativas incluam obstáculos também. O que pode dar errado vai dar errado. Inclui essa ideia nas tuas expectativas. Esta é uma afirmação muito sensata e não significa que desejes ou façass as coisas para darem errado. É, de facto, uma afirmação bastante positiva.

  1. Mantém a curiosidade sobre pessoas.

Quando achamos que as pessoas deviam agir assim ou assado, criamos expectativas e estas criam mais tensão e frustração. Lembra-te que nunca sabemos as reais intenções das pessoas, sobretudo através de um ecrã.

Presumimos demasiado acerca das outras pessoas e poucas vezes as ouvimos realmente. Agora, ser curioso acerca das pessoas não é querer (e muito menos consumir) o que muita gente despeja nas redes sociais sobre as suas vidas privadas. A vida pessoal e privada devia manter-se fora das redes e manter-se privada, apesar de todas as alterações que o conceito de privacidade tem vindo a sofrer.

Mantém a porta aberta para conversas reais, com pessoas reais e não com posts. Isto pode neutralizar a tua raiva.

  1. Faz exercício físico. Sim, yoga, mas não só.

Muitas vezes o melhor que há a fazer quando estamos zangados é transpirar muito. Fazer algo fisicamente exigente ajuda-nos a fazer um reset. Não tem de ser exercício físico feito de forma extenuante. Pode bastar uma boa técnica de respiração, como a respiração diafragmática.

E orientação especializada e profissional nesta área é indispensável.

4. Se achares que é mesmo preciso, procura ajuda profissional.

  1. Tem a tua playlist de músicas preferidas sempre à mão.

A música equilibrada é uma das melhores terapias para reequilibrar a tua energia e o campo vibratório da tua casa. Se tiveres uma lista de músicas de que gostas e que sabes que te acalmam, podes usar quando surge aquele pico de raiva.

  1. Usa as tuas reservas de energia emocional

A raiva desgasta-nos e deixa-nos KO. Tens de encontrar um equilíbrio entre usar a raiva para uma mudança em ti sem ficares exausto(a). A raiva aumenta a nossa batida cardíaca e tensão arterial. O truque está em encontrar estratégias que te ajudem a acalmar, como, por exemplo, dar um passeio na rua ou na praia. Neste caso, só queremos limitar os efeitos do pico de raiva. Ou podes canalizar a energia que vem da raiva para te tornares um activista por alguma causa.

  1. Encontra um ombro realmente amigo

Por vezes, só precisamos de ventilar. Telefona a um amigo ou a alguém em quem confies e possas simplesmente desabafar. Alguém que te possa ouvir simplesmente. Este tipo de troca pode não só ajudar-te a processar a emoção que estás a sentir, mas também o facto de verbalizares o que sentes e o porquê, ajuda a ganhar perspectiva sobre os teus próprios sentimentos, a encará-los com mais objectividade e, portanto, com menos dor.

 

The word ‘hurt’ opens up a can of worms.
Does ‘hurt’ mean pain, and if so to what degree.
Does ‘hurt’ mean discomfort?
Does ‘hurt’ mean ‘this is bad and I am going to do damage’

What ‘hurt’ means for one person is different for another. And that is a tricky task for the teacher until we understand what ‘hurt’ mens to the student.

I have never understood Yoga to be pleasant and easy. I am OK with experiencing discomfort even pain when practicing, but this comes with a sharp radar for understnading if the pain is good or bad.

We learn this in yoga, to dicern if it is something we should sustain or surrender.This is also what we are learning in life, right?How we respond in the asana helps us to better respond to challenges in life.

So to conclude, if a student says ‘it hurts’ or if you are in an asana and feel pain I ask myself the following questions.

  1. Is this good pain or bad pain. Good pain is usually a stretch, release and while it is intense it brings relief afterwards. Bad pain is usually sharp, acute and or felt in the joints.
  2. If it is good pain obsserve it, notice it, sustain it and then release and again observe, what can you learn from it.
  3. If it’s bad pain ask your teacher or self what can do to shift this, perhaps a small action is required to shift it or perhaps you need to come out and not do the poses.


Only the student can know the answers and that is part of the journey as a practitioner. Learning to listen inwards and respond with skilful action.

Let me finish with ‘Ahimsa’ Non violence, one of the five yamas to observe and practice.

Never stray from the yamas and niyamas and if in doubt about something return to them and they will guide you.

O trabalho começa no tapete e prolonga-se para além dele. Do denso ao subtil. Do impossível ao possível. 

O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar.
É um desdizer que nos diz
Em cada hora, momento
É instrumento de ser feliz
Não de doer, nem magoar.

É barca de ser e singrar
Com alento, não de choro.
Dá prazer, e não lamento
Para querer, sem crer estar;
Pra combater o tormento
Sem laxismo nem decoro,
O corpo é instrumento
De dar prazer, não dá penar.

O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar,
Seja rápido ou lento,
O corpo é instrumento
Não de doer, mas de amar.

O corpo quer só bom trato
E atenção, pra conseguir
Uma plena realização.
Não é pedra no sapato
Ou ingrato por condição
De coxeio, mas de sorrir.

Meio de gozo sem perversão
Nem ditado, que premeia,
Ou círculo quadrado,
Mas diz sim, se sim; não, se não
Em todo e qualquer lado
Se apraz, não esperneia
Meio de gozo sem perversão
Nem ditado que permeia,
O corpo é instrumento
De ser feliz, não de pesar,
Seja rápido ou lento,
O corpo é instrumento
Não de doer, mas de amar.