Meditação

Há alturas em que nos sentimos mais desorientados, mais desconectados, mais ‘aéreos’. Alturas em que temos de lidar com o mundo a mudar à nossa volta, com as mudanças nas nossas vidas externas, mas também com mudanças em nós mesmos. E ainda que saibamos, mais ou menos, confiar nesse processo de mudança, às vezes o stress, ou os diferentes tipos de stress que nos afectam, engolem as partes em nós que mais apreciamos.

Por isso, escrevi esta meditação que quero partilhar convosco para nos ajudar a conectar a uma compreensão mais profunda de nós mesmos.

E as nossas memórias podem muito bem ser um instrumento que nos ajude nessa conexão, em particular, memórias e experiências do passado que despertaram em nós criatividade, alegria, leveza. Quando me conecto a essas qualidades dentro de mim, sinto-me em casa. E são a essas qualidades com as quais eu luto para me conectar quando me sinto sobrecarregada ou ansiosa. Focar nas minhas memórias na minha prática de meditação pode ajudar a deixar cair a narrativa no centro do meu stress e abrir espaço para um conhecimento mais profundo de mim mesma.

Meditação

Convido-te, então, a redescobrires-te através da arte da memória. Tira um momento para contemplar uma qualidade dentro de ti que gostarias de experimentar — uma parte de ti que tenhas esquecido. Pensa numa memória que capture a essência dessa qualidade.

Para começar, senta-tee confortavelmente. Olha para um ponto parado e relaxa os olhos. Podes fechá-los, se quiseres. Traz a atenção para tua respiração. Observa a tua respiração corporal e usa a expiração para liberar qualquer tensão que possas notar no teu rosto, ombros ou abdómen. Quando apanhares a tua mente a vaguear, basta trazê-la de volta à observação da respiração.

Agora foca na memória que escolheste. Vê-ee nesse momento. Pinta um quadro vívido na tua mente. O que vês? O que ouves? O que sentes? Tira alguns minutos para reviver a experiência no teu corpo.

Imagina respirar a memória nos teus pulmões — o cheiro, as cores, os sons. Deixa-te preencher por essa memória.

Como é seres tu mesmo naquele momento? Que aspecto de ti despertou? Observa a tua respiração e observa quaisquer mudanças na tua energia.

Fica com esse sentimento o quanto quiseres.

Quando estiveres pronta/o, lentamente aprofunda a respiração. Solta o queixo na direcção do peito. Se os teus olhos estiverem fechados, abre-os suavemente. Toma o teu tempo voltando para o lugar onde estás.

Podes reflectir sobre a experiência na tua meditação — detalhes sobre a memória que se revelaram para ti; como era revisitar o lugar e tempo escolhidos; ou como a tua memória te ligou de volta a ti mesmo/a.

A memória é uma ferramenta que pode ajudar-nos a ver mais claramente através das lentes das nossas experiências passadas. Incorporar a memória na minha prática de meditação enraiza-me em mim mesmo e lembra-me que estou sempre tornar-me mais quem eu realmente sou. Esse processo de redescoberta inspirou uma compreensão muito mais profunda de mim mesma.